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segunda-feira, 16 de abril de 2012

quando voltamos a casa

sentimos sempre o misto da felicidade de quem reencontra e a nostalgia do que já passou.
Estou, desde as 09h da manhã, a dar formações na casa que foi a minha dos 3 aos 15 anos. Onde tudo se passou, onde cresci e aprendi desde o mais básico como as letras e os números ao mais complexo do mundo inteiro que é quem sou e como me relaciono.
Está tudo aqui, dentro destas enormes paredes e corredores forrados a azuleijos, no colo destas Irmãs que continuam quentinhas nos seus casacos brancos debaixo do hábito.
A professora de Português continua toda arranjada e a falar com imensa propriedade, a professora de Francês continua com uma vida que nunca acaba, gargalhada alta e um perfume esvoacante que deixa atrás de si no corredor. A professora de EVT ainda se lembra que eu era um desastre a desenhar. Mas esforçada.
Na hora de almoço fui ao pinhal e aos campos de jogos. Falei com a Telma e com a Tânia. Vi a D.Isaura e a Céu que me punha a rede no cabelo antes de ir para o ballet, com 4 anos. A Irmã Catarina serviu-me, como sempre, o arroz. Que está igual e sabe ao mesmo.

Um grande nó na barriga. E agora espero os Pais que vão chegar para que lhes dê umas pistas sobre a vida dos filhos deles. Um dia foram os mais pais a entrar por ali dentro, esbaforidos entre uma reunião e outra, ou os da Bárbara com quem podia contar sempre a assistir. Mas já não são, são outros pais, de outros meninos que, aqui nesta casa, usam o meu quarto.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nos últimos dois dias de trabalho

Tenho conseguido aperceber-me, e sentir o arrepio na pele, da enorme responsabilidade que acarreta esta profissão que escolhi.

Os meninos que choram connosco quase uma sessão inteira, os professores que tiram apontamentos das nossas palavras e os pais que no fim das formações querem decorar os conselhos que posso ter para dar como se pudesse ser eu mais especialista nos seus próprios filhos do que eles mesmos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

pior a cura do que a doença

Eu andava muito contente, fresca e airosa, entre as minhas formações e meninos em consulta. Brindava o meu corpinho todos os dias com ginástica e muito namoro. Feliz, embora anémica.
Agora que comecei a tratar-me e todas as manhãs lá enfio ferro disfarçado de bolinhas cor-de-rosa pela boca abaixo a coisa está a ficar preta. Literalmente.
Os dois primeiros dias foram na maior e eu senti-me a senhora intocável a quem todos aqueles efeitos secundários que afectam toda a gente a mim nem chegavam perto. Deve ter sido o meu corpo a absorver cada bocadinho tamanha era a sofregidão. Mas desde ontem, minha nossa... desde ontem que ando a ver estrelas. O dia todo com as tais "nauseas" que aparecem escritas na bula como quem não quer a coisa e mais toda uma palete de tons de carvão quando vou à casa de banho.
Oh senhores... eu só queria repor os meus niveis de ferro, não era andar com cara de morta viva e triste com a vida e de costas viradas a essa actividade que me é tão querida que é comer...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Cheios de tempo

e se pensarmos que o tempo é dinheiro ou que o dinheiro seria tempo? Quereriamos ter todo o tempo do mundo? Viver sem pressa mas, simultaneamente, sem aproveitar cada segundo?
O filme que vi ontem (In Time) fez-me pensar nestas coisas...muito para além do seu enredo, claro está... e se o preço a pagar pelas coisas fosse tempo? Eu, que tenho 100 anos de vida, comprar-te-ia a ti, lojista com mais 5 anos de vida, uma camisola por 2 dias. O que faria eu com tantos anos e o que farias tu com mais esses dois dias?

O que provoca em nós a sensação de que tudo isto um dia se vai? Faz-nos actuar? Faz-nos reagir?
Este meio caminho em que nos encontramos, esta decisão tramada entre trabalhar o máximo que conseguirmos para receber o máximo de dinheiro que pudermos na crença de que a qualidade de vida que compraremos com esse dinheiro nos aumentará o número de dias faz com que tantas e tantas vezes nos esquecamos de aproveitar as horas, que sem sabermos são tão poucas, temos para realmente Viver.
Não tendo nada a ver, eu sei, porque todos são diferentes e se encontram a si próprios com coisas diferentes, a experiência de saltar de um avião foi mais do que uma experiência em si, mais do que um riscar qualquer coisa da lista dos sonhos. Foi sentir-me viva. Sentir que este tempo que passarei neste mundo não é, e garanto que nunca será, passado como vejo tanta gente à minha volta: quase como autómatos: acorda-se para trabalhar, acaba-se de trabalhar para ir dormir. No meio há o mesmo de sempre, veste filhos, leva à escola, fuma-se cigarros, chega-se a casa, banhos, jantar, cama e nós no sofá de pijama a sentir que merecemos esse descanso e esquecendo que o tempo, esse, dá para mais. Dá para um passeio no jardim, para o desvio a caminho de casa e ver-se o mar, ou as árvores da avenida da liberdade. As duas horas que separam o jantar da cama podiam ser ocupadas com um amigo que nos visita e a quem podemos servir apenas chá.
Ontem, nos 90 anos da minha Avó que parou no tempo aos 87 quando teve um AVC e ali se mantém deitada pensei nisto. E se o tempo parasse? O que teríamos acumulado em nós? Sim, em nós, não na conta do banco.
Fui à Missa das 22h na Baixa porque não consegui ir antes. E soube-me bem a manga curta na Rua Augusta, o arco iluminado, dar a mão ao meu marido. Quis pendurar-me no seu pescoço e fazê-lo rir por tentá-lo beijar em frente a turistas enquanto ele, envergonhado, tentava afastar-me.
Mas eu quero lembrar-me destas coisas, das ruas de Lisboa quentes à noite, dos nossos passos em sintonia, desta sensação de que o tempo passa devagar porque o que precisamos é exactamente aquilo que temos: a nós mesmos e às experiências que nos vão construindo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

é sexta-feira 13 e esqueceram-se de avisar aqui o casalinho?

Roubaram o meu marido... foi-se o blazer, foi-se o computador, foram-se os blocos com notas sobre os próximos eventos (e a maratona já aí no Domingo...) foi-se o saco do ginásio com uns ténis novinhos em folha que lhe deram ontem. Sim, ontem... corta-se-me o coração... ainda não o vi, só ouvi ao telefone mas foi o suficiente para perceber que cara é que vou ver quando chegar da polícia.

terça-feira, 13 de março de 2012

outras parvas considerações

acabei de ver que escrevi a palavra estaminé (que nem sequer uso muito) em dois posts seguidos.

Três, agora!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"é com eles que tu tás casada?"

Não. Não é com mais ninguém para além de um com o outro que estamos casados.
Mas pode ser tão difícil gerir a família do outro como uma multinacional na falência.
Vale-nos, ou antes, falarei só por mim, o que me vale é que gosto deles. Gosto dos meus sogros, da minha sogra também, de cada um dos meus cunhados. Cada um com as suas coisas, boas e más, com as suas lutas e exigências. Gosto que precisem de se ver e estar juntos como as flores precisam de água, gosto que num minuto se ponham todos do outro lado do país (ou do mundo) se alguém precisar. Gosto que me sintam como parte fundamental da família, que exijam a minha presença como a de qualquer outro que nasceu ali.

Se, às vezes, é demais? É. Naqueles dias em que quero agarrar nele e não o deixar levantar do sofá toda a tarde, em que me apetecia que jantassemos sozinhos, que ficassemos por aqui sem razão nenhuma, sem ser porque temos alguma coisa para arrumar, limpar, montar, estudar. Só porque sim. Porque somos marido e mulher e porque uma família, para crescer e se tornar coesa, precisa de tempo juntos.

Mas este "às vezes é demais" é um às vezes sincero, é mesmo só algumas vezes e, na maioria das vezes, quando eu dormi mal (ou pouco), quando estou estafada e só preciso de colo em vez de tardes em família. De resto, não, não estou casada com eles, e não vou por obrigação, estou, vou, e preocupo-me com todos porque quero, porque gosto. Porque me faz falta.

domingo, 6 de março de 2011

A forma como lidamos com as coisas

é o que temos de mais parecido com uma janela para a nossa alma.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

até se me nasce um cabelinho branco...

...cada vez que penso que no sábado há casamento. A ida ao Porto e duas noites no hotel sabem pela vida que eu adoro aqueles lençois esticadinhos e os pequenos-almoços. O que não dá com nada é o vislumbre de vestimenta. Não há vestidos para esta altura, as pernas não podem ir desnudadas e por mais que disfarces com collants à medida, há sempre os braços que revelam a tua cor branco-a-roçar-o-transparente. Junta-lhe o drama da maquilhagem cujo limite é sempre uma dúvida: queremos só a cara para ficar com um ar natural mas a cheirar a verão. Vai daí e não podes parar na linha do queixo porque fica um escândalo o contraste com o pescoço. Mas se o vestido é decotado como fazemos? Seja como for vai ser sempre um choque visual a comparação com os braços... enfim...

Resta-me esperar até aos 80 anos para poder esfregar as mãos de contente por mais uma oportunidade de ir passear o meu Vison!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

gosto das coincidências tecnológicas

como ter acabado de ver um amigo no facebook, pensar que tinha mesmo de combinar alguma coisa e, do nada, o meu telemóvel tocar e ser ele...

ou daquelas vezes em que pego no telemóvel, que está quietinho no seu canto e, nesse minuto, recebo uma mensagem ou alguém telefona.

Enfim, gosto de acreditar que a minha ligação com as pessoas é assim, mais espiritual do que outra coisa... é que gosto tanto deles. Dos meus amigos. Todos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O meu irmão é actor nos Morangos com Açúcar

Isso já era suficientemente traumatizante por si só.

Agora emparelhou-se para lá com uma e é ver a malta toda a dizer-me que o meu irmãozinho querido, e mais novo que eu, anda aos melos na televisão.

Caí no erro de ir espreitar e confirmei: há coisas que as irmãs não nasceram para ver.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Finalmente compramos um tapete...

... e o melhor disso, é que já não faz tanto mal quando o comando cai ao chão quando estamos deitados no sofá. Amortece a queda.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Como fazer a sua mulher sentir-se fútil em 2,5 segundos

Eu: "Aii... um dia havemos de ter uma casa maior... com uma cozinha grande e cheia de armários para arrumar tudo. E, depois, numa das divisões, faço o meu closet. Adorava. Ver a minha roupa toda e poder escolher como se estivesse numa loja..."

Ele: " Nunca. Se um dia tivermos uma divisão que sobre eu quero fazer uma capela."

Silêncio.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Coisas irritantes da vida

- bater com o dedo mindinho do pé;
- não haver o que queremos do Mac Donald´s;
- sair de casa sem guarda-chuva;
- entrar uma coisa para o olho;
- cabeleireiras que cortam mais do que nós pedimos;
- professores faltarem à primeira hora manhã no dia em que decidimos acordar e chegar a horas;
- chegar ao fim da noite e ver que estivemos com coisas nos dentes desde a hora do jantar;
- levar pouca roupa num dia de frio;
- ter gente mais alta que nós à nossa frente no cinema;
- passear o guarda-chuva o dia inteiro e, no fim, não chover;
- ter olheiras;
- a máquina fotográfica ficar sem bateria a meio do dia;
- roçar as unhas em algum lado depois de as pintar;
- não ter percebido, antes, que o papel higiénico tinha acabado;
- adormecer na praia e acordar encharcada com a subida da maré;
- ver nos saldos coisas que compramos por 3x mais;
- ficar com o vestido ou a saia presos nos collants depois de ir à casa-de-banho;
- entrar num sítio que tresanda a fritos depois de lavar o cabelo;
- apanhar maus dias de praia nos únicos dias que temos para ir à praia;
- esquecer de pôr perfume antes de sair de casa;
- não arranjar lugar para o carro à porta de casa, nem sequer na rua da nossa casa;
- ter o jantar pronto e ligarem a dizer que não podem vir;


Claramente uma lista em construção!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Se prometerem não contar a ninguém...

... eu revelo que hoje lanchei água com farinha láctea em pó, a.k.a, Papa Cerelac!

Começo a ficar saturada

da falta de consciência da dignidade da pessoa humana, da falta de consciência do valor da vida, da falsa valorização dos bens materiais, da idolatria do ter, do poder e do prazer, da redução do amor à experiência sexual e da elevação dos critérios de cada um a norma suprema da verdade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

calma, respira


Não há uma merda de um lápis nesta casa.

não acredito que ouvi isso

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

E quem é que comeu gomas no cinema, ontem??

Eu não! Aguentei-me!

sábado, 25 de dezembro de 2010



Sinto-me a pessoa mais solitária da Blogosfera. Anda tudo numa algazarra, de um lado para o outro com as suas famílias e eu também devia estar mas olha, azares da vida e estou de cama com 39ºC de febre, Há direito???

Sempre tenho o meu maridinho que é do best e, olha, ficamos por aqui a papar filmes na televisão e entregues um ao outro que, afinal, somos família!