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quarta-feira, 14 de março de 2012

que não seja a idade

a calar-nos, a fazer-nos corar e pensar que afinal não íamos dizer nada de importante quando o nosso impulso nos fazia sentir que sim.
Não ter medo de expor, partilhar, discutir ideias com os que se separam de nós pela data de nascimento.
Porque não só podemos aprender com o que nos devolvem como, também e tantas vezes, podemos ter alguma coisa a ensinar.

terça-feira, 22 de março de 2011

muito poucos percebiam a forma como decidi chegar ao casamento

mas, a verdade, é que há alguém que sabe explicar a coisa de forma, mais ou menos, clara:

"O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.

Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

sexta-feira, 11 de março de 2011

47

São os dias que nos separam da Páscoa. Bem, agora são 45, que a Quaresma já começou na 4ª feira.
Para muitas pessoas, quase a maioria, é incompreensível o que esta época significa para nós, católicos, os praticantes. Sim, porque maior parte da população diz-se católica não praticante, o que eu não sei bem o que isso quer dizer.
O que eu quero dizer é que, para aqueles que sentem a correr nas veias um profundo amor a Jesus, vivem esta época do ano como a mais forte de todas. Mais do que o Natal.
E à pergunta que uns tantos me fazem, com ar de que eu aterrei agora vinda de Marte. "Mas o que é que vocês fazem na Quaresma?" (este vocês mata-me, é como quem diz essa cambada desmiolada).
Então eu explico: nós, ou eu, procuro viver estes dias com toda a calma e serenidade interior que me permita chegar ao dia de Páscoa (que significa renascer, renovar, transformar) uma pessoa diferente. É a altura do ano ideal para um frente-a-frente comigo mesma, em que encaro a frio tudo aquilo que reconheco fazer errado, fazer a metade, não fazer. E encontrar a força e a vontade de reunir esforços e me superar. Porque houve alguém que, um dia, por acreditar em mim, em Nós, escolheu entregar a sua vida. E, tal como quando acompanhamos algum familiar ou amigo na dor e num caminho penoso não temos vontade de grandes festejos e loucuras, também este tempo é vivido com moderação, a necessária para receber toda esta grandiosidade simbólica no meu coração.

quarta-feira, 9 de março de 2011

sim, é verdade. Mas saber ganhar, ficar, insistir, aceitar também é uma arte.

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.

E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.

Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.




sexta-feira, 4 de março de 2011

se há profissão...

... em que é fácil compreendermos as limitações da nossa actuação (para além da medicina) é esta de ser psicóloga a trabalhar com crianças.
Chego a casa todos os dias com esta sensação de quem tapa o sol com a peneira, de quem, em vez de arranjar o cano, tapa o buraco com uma tampa, ou de quem limpa as formigas que invadem a casa com um pano e rapidamente se apercebe que lá estão elas outra vez, a sair por todos os lados.
É que, cada dia em que entro naquela escola e oiço, de porta fechada, a professora lá dentro a gritar e chamar estúpidos aos alunos, penso em que como devia suspender todas as minhas consultas, fazer sinal à porta da sala, levar a senhora professora à parte e chamar-lhe os mesmos nomes que chamas a todos os seus alunos. Se não me aguentasse dava-lhe umas reguadas, à moda antiga, mas depois revestia-me de paciência e explicava como é que estas coisas das crianças funcionam.
E, então, quando toca as quatro e meia, e vejo os paizinhos ali à porta, a recolher a carga, a ouvir as queixas das professoras e a dar calduços, a dizer que são a vergonha deles e que quando eles chegarem a casa é que vão ver o que é doce, sobe-se-me cá uns calores. E vê-los a ameaçar de morte as vigilantes e depois ficarem muito espantados por os filhos resolverem tudo à pancada? Cruzes, pensem, minha gente. Pensem.

Enfim, pequeno desabafo matinal, para me revestir de força mental e compreender que embora não mude, nem seja esperado isso de mim, toda a realidade da criança, tenho de fazer tudo o que está ao meu alcance para que consiga enfrentar esse seu mundo de uma maneira lúcida e capaz de fazer o devido filtro ao que absorve dos pais.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

que cansativo deve ser

o dia-a-dia de quem vive/namora/casou/whatever com alguém por quem não sente o amor genuíno, aquele mais verdadeiro de todos. Ou então que não seja retribuída.
É que passar o tempo todo a encarnar uma personagem, a tentar impressionar, a pensar no que dizer, como dizer e quando dizer. A ter a certeza que estamos com o nosso melhor lado virado para ele e ser paranóico em relação aos botões da camisa, às nódoas na gola, às coisas nos dentes, a inventar conquistas, a reproduzir diálogos fictícios, a desenterrar piadinhas, deve ser mesmo uma estafadeira.

Era isto.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Parece que

o mundo está de pernas para o ar. Principalmente daquelas vezes em que achamos que temos de dar o murro na mesa e tratar de fazer algo de grandioso ou que reflicta o grito silencioso que manifesta a vontade que temos de ser lembrados, reconhecidos, apreciados e galardoados.
No fundo, essa mensagem de sucesso obrigatório entra por todos os nossos sentidos, a cada novo dia e em todos os minutos.

Serve então o que aqui escrevo para que o murro seja dado na mesa, sim, mas não pelas razões que nos exigem. Vamos é parar de nos acotevelar em biquinhos dos pés e meter na cabeça, de uma vez por todas, que com os pequenos gestos de amor do dia-a-dia já estamos a fazer algo de memorável e a deixar o nosso legado no mundo. E, melhor, sem o barulho dos aplausos, conseguimos estar mais concentrados no essencial.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O segredo da felicidade

Tenho ouvido umas tantas vezes que o meu blogue revela uma pessoa feliz.

Quem me conhece sabe que pouco, ou nada, teria a ver comigo fazer um blogue que falasse apenas de desgraças. Sou assim desde pequenina, com um jeito especial de sorrir na adversidade e, bem ou mal, ir levando a vida a rir mesmo quando, por dentro, tenho o coração em lágrimas. Orgulho? Pode ser. Muitas vezes não chorei quando me apetecia para que não pensassem em mim como a coitadinha. Detesto as palmadinhas nas costas.

Mas depois, pensando bem, percebi que chorei, sim, à frente de todos os que queriam ver, quando as coisas eram realmente importantes. Chorei quando, no mesmo ano, me morreram 1 avó e 3 bisavós. Quando o meu namorado acabou comigo para ir para Padre, quando morreu o meu padrinho de baptismo. Chorei quase três dias quando a minha/nossa vida ficou por um fio naquela estrada do sul de Espanha. Chorei  (muito) quando os meus pais se separaram e nunca vou esquecer daquela sessão de choro com a minha segunda família, os quatro a chorar na mesa da cozinha. O tio A.M. de lágrimas nos olhos pelo fim de um casamento em que todos acreditavamos.

E, então, conclui que o segredo desta minha postura de bem com a vida (que são os tijolos da felicidade que se constrói) advém da capacidade que desenvolvi e me esforço por aperfeiçoar, de só dar importância ao que é, realmente, importante.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Vale a pena pensar nisto

"Hoje deves parar, talvez o mundo já corra demais

Hoje deves ouvir, talvez interesse a opinião dos outros
Hoje deves olhar, talvez haja alguma novidade fora de ti
...Hoje deves dar, talvez o que te sobra falte a alguém
Hoje deves falar, talvez tenhas alguma nova a dizer
Hoje deves rezar, talvez tenhas necessidade de um Pai
Hoje deves pensar, talvez te seja útil um auto-retrato
Hoje deves receber, talvez outro precise de dar
Hoje deves começar, talvez amanhã seja tarde
Hoje deves renascer, talvez tenhas nascido apenas."

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bora lá, confiança para 2011

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

" 9:55 Segunda feira, 20 de Dezembro de 2010:

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças,ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.

1. A ligação inter-geracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc,tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.

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Faltaram as outras partes... mas neste altura... tinha de ser simpático ... "




Há uns tempos apareceu isto

num blogue muito engraçado, do Pipoco, e é tão verdade....

"Sabes, Ruben Patrick, quando uma mulher te pedir que a abraces não julgues que é coisa pouca, quando uma mulher te quiser abraçar é porque alcançaste um nível superior nisso de uma mulher te querer bem, não o menosprezes, não confundas um "abraça-me" com um "quero saber a que sabe a tua língua", são coisas diversas Ruben Patrick, em verdade te digo, não te disperses com carícias em lóbulos de orelha nem com dedos entrelaçados no cabelo dela, trata-se de um abraço, Ruben Patrick, é muito diferente, talvez não te aconteça segunda vez, trata-se a segurares de uma forma única, a meio caminho entre a suavidade e a firmeza, depois deixa que a cabeça dela encontre posição no teu ombro e depois, só depois, trata de encostar o teu coração ao dela, finalmente, Ruben Patrick, não digas nada, aprecia o momento, abraçar uma mulher porque ela te pediu é coisa que pode não voltar a acontecer-te."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Como é que isto se ultrapassa?

No site da sic:

Norte-americano detido há 30 anos está inocente:

Um norte-americano que esteve preso durante 30 anos por violação e roubo estava, afinal, inocente. O texano de 51 anos foi condenado em 1980 a 75 anos de prisão. Agora, depois de realizados os testes de ADN, ficou provado que não foi o autor dos crimes de que foi acusado.

Um tribunal de Dallas ordenou a anulação da condenação de Cornelius Dupree Jr. O texano passou, por engano, mais tempo na prisão que qualquer outro detido que já foi ilibado no Texas após a divulgação das provas de ADN.
Dupree foi acusado em 1979 de violação e roubo de uma mulher de 26 anos e foi condenado em 1980 a 75 anos de prisão por roubo agravado.


Em julho foi-lhe concedida liberdade condicional e os resultados dos testes que o ilibavam de violação foram divulgados dez dias depois.

Não sei como é que isto se ultrapassa. A certeza da inocência fechada em quatro paredes uma vida inteira. Caramba. Só se vive uma vez e a vida deste homem foi assim. Só suportável pela consciência tranquila.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

So true.


E, sem nunca ter visto esta frase, concluo que faço dela o meu lema de vida.
Mas o facto é que, para mim, e pela maneira como "vejo" (e sinto) Deus, não há, nunca, um momento em que ninguém está a ver.

Bom, e no fundo não será só comigo que acredito em Deus, mas também com todos os outros. Porque, em última instância, nós vemos sempre o que estamos a fazer, somos sempre espectadores (lembro-me de uma visita de estudo, em que não tinha dinheiro nenhum comigo mas queria imenso uma caneta de uma lojeca a que nos levaram. Estava tanta confusão com o colégio todo lá dentro que peguei na caneta e a meti  no bolso. Vim logo cá para fora e não fui apanhada. Ninguém me disse nada. Mas quando começaram a chamar para a carrinha e todos sairam, eu não aguentei, ia explodir, voltei à loja e deixei a caneta exactamente no mesmo sítio de onde a tinha tirado).

Então vamos por aí, passamos a ter integiridade como um conceito relativo? Fazer o que está certo depende do modo como esse certo é visto por cada um? E se o meu certo não for o mesmo que o teu? E se, perante a mesma coisa, agirmos de forma diametralmente oposta? Qual de nós é mais integro? Somos os dois e cada um à sua maneira?
É fácil, para mim, distinguir bem o conceito de coerência, porque embora provoque diferenças entre todos, não é nada relativo: ou se age de acordo com o que se acredita ou não...
... mas esta da integeridade é uma questão difícil. Quem embarca numa discussão filosófica?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ando comovida com a campanha que anda a ser feita pela Ajuda de Berço.

Não fazia ideia da situação deles e fiquei toda arrepiada ao ouvir falar, na televisão, da hipótese de fecharem.

Não podemos deixar.


e a quantidade de gente que precisava de ouvir isto?

sábado, 27 de novembro de 2010

destas crises eu já não sofro

"Por vezes aparecem pessoas que nos vão envolvendo devagarinho, não sei se consciente ou inconscientemente, mas, como quem não quer a coisa, nos vão cozinhando em banho-maria, uma pitada de sal aqui, uma de pimenta ali, umas ervas ou especiarias acolá, e assim nos vão mantendo, sempre sem levantar fervura, nada explícito, nada concreto, só leves sugestões e ambiguidades, enquanto decidem se sim se sopas. E depois lá decidem e apagam o lume, e uma pessoa fica ali a boiar, mal passada, sem perceber muito bem o que aconteceu, que estava tão sossegadinha no seu canto, para que a foram desassossegar, duvidando de si, da sua lucidez, se terá interpretado mal, se era fantasia, se terá imaginado tudo, se era só coisa da sua cabeça. Depois, claro, é deixar arrefecer, voltar ao normal, temperatura ambiente, pois, sim, amigos como antes, reset, que afinal nem sequer há certezas que justifiquem mais explicações. A incomodar só fica mesmo a puta da dúvida: não era da minha cabeça, pois não?"
Veio deste blogue, de que eu gosto muito, e ilustra impecavelmente aquilo que todos (sim, todos) já perguntamos, já remoemos, já sofremos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

mas também há mulheres desta laia

(...)Porque pior do que um homem com mau carácter, é um homem sem carácter. Um ‘sem-carácter’ não olha de frente, olha de lado, não diz nem ‘sim’ nem ‘não’, diz muitas vezes ‘talvez’ e ‘se calhar’. (...) operando em tabuleiros paralelos, armado em campeão de xadrez. Não raro tem dois ou três telemóveis e vários endereços de e-mail. É um artista de circo altamente treinado em acrobacias emocionais, capaz de grandes piruetas e quedas à gato, sempre com os pés no chão, com ou sem rede. Nem sequer é uma espécie, porque como não tem categoria nenhuma, é mais uma subespécie, meio homem, meio verme, já que possui sangue frio e lhe falta espinha dorsal.


(...) Um bandalho é sempre um bom bandalho, seja à mesa de reuniões ou à mesa de jantar. E por fim, no corolário da canalhice, existe ainda o tipo sem carácter que finge que é bestial e se faz sério, de bom amigo, de bom chefe, de bom irmão e de bom marido. E esses, infelizmente, proliferam na sociedade portuguesa (...)


MRP e de um blogue com muito conteúdo

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Deixem-me que vos diga, em nome de quem sabe

Enganarmo-nos é o único privilégio  humano frente a todos os outros organismos!
Quem erra chega à verdade, sou humano precisamente porque erro. Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes ou, talvez, cento e catorze e isso é um mérito, nesse sentido.
Mas não, nem sequer sabemos errar pela nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, dou-te um beijo! Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia; no primeiro caso, somos humanos; no segundo, somos pássaros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida. O que somos nós agora? Todos nós, sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideias, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, andamos ainda na 1ªclasse. Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias.
Não é verdade o que estou a dizer? Não é verdade?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Que pena que os adultos se esqueçam disto em relação às crianças:

Qualquer pessoa com idade suficiente para amar tem idade suficiente para sofrer.

sábado, 20 de novembro de 2010

e se pudesse?

Se eu pudesse deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos... Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentávamo-nos a conversar, explicava-te porque é que um dia reparei que existias e sem querer me esqueci do meu coração entre os teus dedos... Se eu pudesse... mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente empurrar. E eu não sou mais que uma gota de água nesse rio parado,uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver...

Um dia havemos de nos entender...

Se eu pudesse, roubava o tempo do mundo fazia cada momento durar mais do que um segundo e sussurrava, quanto tempo é só nosso... Se pudesse fazia por ti, tudo o que não posso em cada olhar que fica, cada beijo que voa a cada palavra amiga que sozinha nos conta esta história tao leve, por mais breve que seja faz eterno um só momento por mais esquecido que esteja... Se eu pudesse, ser um pouco mais do que isto ser mais que uma palavra, uma melodia que capta o teu ouvido mais que um mito sem sentido musicalidade ou arte, queria ser a certeza que assim deixei o corpo de parte, a verdade a qual acenas ao longe, e quando te escondes por detrás desse sorriso, deixa-me só tentar mostrar que as respostas não estão lá fora... Se eu pudesse, secava as lágrimas que eu não sequei mudava as respostas que quando querias não dei, eu sei que vales mais e é esse mais que ainda procuro não sei se o tenho mas mantenho esperanças no futuro. Atento ao tempo e não me lembro de mudar por mim, cinzenta por dentro procuro mil e uma cores em ti encontro pisos incadescentes, de vez em quando és a policromia que me preenche sonhos a preto e branco...

Eu também tenho medo, mas se pudesse não o guardava em segredo tornava tudo tão óbvio, tão dócil e brilhante para ser mais do que uma amiga, uma amante visitante, o tempo sem promessas que constatemente faça presença que não sou quando já só queres um abraço, certeza sem barreiras que tu precisas de ter ou a felicidade que te dou mas que não sei manter...

Se eu pudesse, ter-te encontrado mais cedo medo que não tenho eu tinha, garanto que valia quando penso na diferença que faz estar ou não estar contigo não vivo através de ti, mas aprendi a viver comigo. Cada opinião que trazes vale por mil sentenças quando estás dás força e não motivação apenas, eu aposto que não reparas, que nem sabias que existe admiração até nas minhas atitudes frias... Se eu pudesse, ser diferente e mudar por ti ser o que mereces e manter-me assim, trocar a vida que tenho pela que desejas e não te encher de lágrimas quando me beijas ser o momento que mais sentiste a tua mais que tudo, quando tudo o resto é triste... Se eu pudesse, era tudo como preferes mas eu não posso ser tudo aquilo que queres...


[mesmo que não se aplique ao meu estado de espírito nem tenha nada a ver, agora, com a minha vida amorosa, acho isto lindo]
(autoria desconhecida, adaptação da M., colega de faculdade)