quinta-feira, 19 de maio de 2011

ok, agora é a minha vez (Aviso: post muito longo, mas saudável)

Vejo, regularmente, uns quatro ou cinco blogues. E todos, ou quase, estão invadidos pelo tópico da dieta. Descrevem tudo o que estão a fazer, o desespero para perder peso e manter o perdido.

Apetecia-me ter alguma coisa em grande para dizer tipo, eu sobrevivi à obesidade, eu perdi 30 kg num dia e meio, eu estou desesperada, consultei um nutricionista e estou a fazer isto. Mas não.

Ora então cá seguem algumas verdades a meu respeito:

- Sou magra. Não sou um espeto, mas sou magra. Tenho 47kg mas ninguém acredita porque não pareço esquelética. Tenho rabo e maminhas, o que disfarça a coisa. Apesar disso, não tenho músculo nenhum. Já tive, em época de ginásio, mas agora olha, azaruxo, que por aqui vai tudo muito mole. Mas no sítio.

- Não me lembro quando é que me começei a preocupar com o que comia, mas tenho a sensação que foi lá para o 11º, 12º. Até lá, era sempre a abrir. Pão com chouriço e queijo tostado todos os dias no intervalo da manhã, cheetos futebolas ao lanche quando ainda andava no colégio, massas a escorrer de molho, cheesecake e brigadeiros sempre que me desse na cabeça.

- Depois a coisa mudou. Ganhei consciência alimentar. Adoptei hábitos muito saudáveis e, hoje, escrevo aqui, para todos os que quiserem saber, os meus truques para ir mantendo o meu peso e não engordar mais do que é devido:

1- Pequeno-almoço à grande. O meu marido não me deixa mentir. Todos os dias o tomo sentadinha e cheio de coisas. Ora bem, vai fruta. A fruta é a primeira coisa que o meu estômago recebe todos os dias. Isto é tudo ciência caseira, mas tenho para mim que, a um estômago esfomeado, ser inundado com vitaminas é o melhor. Ora segue-se uma fatia de pão de sementes com queijo (a vaca que ri light) ou uma fatia de fiambre de frango, acompanhada com sumo de laranja ou um copo de leite magro. Geralmente não acabo sem meter uma bolachinha ao buxo, que é a minha maior fraqueza, mas olha, reconforto-me a pensar que todos precisamos de açúcar e essa é a minha dose diária.

2- Nunca, mas nunca mesmo, estou mais do que três horas sem comer.

3- Ao almoço como todos os dias sopa, carne ou peixe, com muitos legumes e saladas.

4- Ao jantar faço sempre um esforço para comer menos. O corpo não precisa, já só vai acumular. Sopa e um iogurte, sopa e uma salada (um dia posso fazer um post só sobre alternativas de saladas), tomate com queijo mozarella...

5- Bebo 1,5L de água por dia.

6- Deixei completamente os fritos há muito tempo. Tanto quanto me é possível, claro.

7- Só quando vou para andares muito altos é que uso o elevador. De resto, só escadas e faço quase tudo a pé. Quando tinha carro, chegava a estacionar longe de propósito.

O MAIS IMPORTANTE, QUANTO A MIM:
- Não ser paranóica com isto. Ninguém, mesmo ninguém, aguenta uma restrição total das coisas que mais gosta. E a vida é feita de mil situações em que só faz mal ficar obcecados com a dieta. Por exemplo, se estou numa festa é óbvio que como um croquete; se estou nos anos de alguém, é óbvio que provo o bolo... o truque, para mim, é a regra do um. Porque às vezes, é só pelo sabor: um croquete, uma colher de mousse, uma fatia pequena de bolo... etc

- Não deixar de ter vida social por causa da dieta: se tenho jantares, óbvio que vou. Tento alternativas saudáveis e se não há, não há, pronto. Compensa-se depois. Mas ir e conviver, e rir, faz muito melhor à saúde.

- Não sentir culpa nenhuma quando se pisa a linha. Faz parte, e isso é que é viver.

- Procurar ingerir todo o tipo de alimentos e nutrientes. Se eu sei que vai ser um dia mais puxado fisicamente, como hidratos de carbono ao almoço, arroz, por exemplo.

- Truques para combater a minha maior fraqueza depois das refeições (o docinho): lavar os dentes logo, se estou em casa, ou meter uma pastilha à boca.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Para Pais e outros


"Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.
Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção. Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.
Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervosacumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras. Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma.

Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

NUNCA

devia ter insistido para pendurarmos a rede já.

Agora estou aqui dentro de casa, enfiada ao computador, a ver tudo desfocado, e ali fora, a três passinhos e um calor com um ventinho óptimo, balança-se a rede sozinha. Snif

domingo, 15 de maio de 2011

Um dia de sol,

um acordar preguiçoso, vermos televisão de pijama e a tomar o pequeno-alomoço. Namorar.

Vê-lo dedicado às coisas da casa e ali às voltas a pendurar, finalmente, a nossa rede no pátio. E uma rede de casal, que isto é uma chiqueza!

Vou ver se lhe aproveito o balanço e também pendura cortinas!
Eu aqui, ainda ao computador, ao fim de mil horas mais ou menos, e a vizinha famosa acaba de entrar no prédio a suspirar e rir muito, enquanto se ouve voz de homem... vai haver festa da grande, já se está a ver. Perdão, a ouvir.

sábado, 14 de maio de 2011

Estou chocada

com isto. Não quero acreditar que esta seja a nossa justiça. Que uma mulher grávida, ofendida e abusada, recorra ao único meio que tem para fazer queixa e a tratem assim. E a mandem para casa com esta decisão. Até me faltam as palavras.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ohhhhhhhhh

Acabei de perceber que, com o apagão do Blogspot, se foi o meu texto de ontem que tinha MUITA graça e estava em directo do hotel e do filme que eu estava a viver....

Não tenho tempo para escrever agora tudo outra vez, era só para dizer isto!

Já me estava a assustar

Desde ontem à tarde que ninguém teve acesso aos seus blogues...

Ufa! Como é que eu ia explicar que não, não fui eu que desisti, os senhores é que não deixavam?

Ainda bem que aqui está, ele, o meu menino, para continuar a dizer coisas pirosas e outras tantas que não interessam a ninguém.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ah, e há tanto tempo que esperava por isto

Havia de chegar o dia em que esta coisa de o meu homem trabalhar de norte a sul e, muitas noites, não dormir em casa, daria frutos!

Pois que amanhã ele tem de estar cedinho em Alter-do-Chão e teria de dormir lá esta noite. E cá vai a sua esposa, feita lapa. Saquinho pronto, com bikini incluido. Tudo o que preciso para trabalhar amanhã durante todo o dia. Só falta sair.

Pequeno-almoço dos que eu gosto, uma horinha de ginásio, ler textos e mais textos de bikini à beira da piscina... a vida é feita destas coisas pequeninas e mal me lembro que amanhã, a esta hora, já estarei de volta.


é oficial

esta é a altura do ano em que tem mais piada andar na rua e ver as figuras dos outros...
Ora passa uma de sandálias mas de calças escuras, camisa e casaco (e, às vezes, encharpe), ora a seguinte vem de calças, top de alcinhas mas botas de pêlo... Há bocado passou uma de vestido sem mangas, curto, e botas até ao joelho...

Enfim, se o tempo está incerto, apostem nuns ténis ou botas (sem pêlo, sem camurça, sem nada), calças e a parte de cima às camadas. Vão ver que resulta. É que isto de ver o sol e sair como se fosse Agosto depois dá naquilo que vi no outro dia (em que amanheceu com sol e à tarde choveu) em que a pobre da rapariga levava o pézinho e a sua sandaleca ensopada com a chuva que caía.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

como é que se faz uma tese em modo intensivo

quando o teu marido chega a casa e te traz ao computador uma caipirinha, para relaxar?

Estamos bonitas...
Este foi o fim-de-semana de ir a pé até Fátima.

Estranhei sermos só 210 em vez dos habituais 500 e qualquer coisa mas, para compensar, ia a Carolina Patrocínio! Ahah

Mais uma vez foi muito bom, mais uma vez achei que não ia aguentar, mais uma vez adormeci e acordei no chão dos ginásios a jurar que é a última vez que me apanham nisto.

Aposto que para o ano lá irei outra vez. É mesmo assim.

Começo a sentir o formigueiro na barriga com a data da entrega da tese a aproximar-se a passos largos. Agora tenho, mesmo, de parar de adiar e, definitivamente, morrer para a vida social e as tardes de preguiça.

De resto, nada mais de muito importante para a acrescentar. Fase de trabalho, fase de decisões, fase de atitudes (apaguei o meu facebook, uau! no fundo, aquilo servia para muito pouco)... fase de mim, fase de nós, fase de tentarmos perceber o que é suposto, onde iremos, como queremos, e como é esperado que seja.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

por aqui brinca-se aos pais e às mães

De ontem para hoje dormiu cá a nossa sobrinha de 2 anos. Não me largava antes de adormecer e, apesar de ter fechado os olhos em dois segundos, teve de ser no meio de nós. Era natural. Era a primeira vez que dormia cá.

Por mais querida que seja ela, e o cenário, lá tive o meu ataque de ciumeira por não poder adormecer colada ao meu homem e não descansei enquanto não a pusemos na cama e o agarrei com muita força!

Hoje, desde as 7 e meia que temos aqui a outra, a irmã, de 3 meses. Pelo menos dormiu o tempo todo em que preparamos a V. Foi ver o Diogo a acorda-la, todo babado, vesti-la e ir com ela comprar o pão. Tomamos o pequeno-almoço a três, perdidos de riso com tudo o que aquela miúda tem para contar. Não se cala um segundo e tem mesmo muita graça.

Antes dele sair para a levar à escola, conseguiu deixar cair não-sei-o-quê e pronto, acordou a criança, a mai´nova. Foi lavar-lhe a cara, mudar a fralda, dar o biberon, namora-la um bocadinho e agora dorme aqui, ao meu lado, enquanto eu me mando ao trabalho com todas as minhas forças.

Aos bocadinhos vou pensando como será a enormidade do amor por um filho quando, pelos sobrinhos (e o meu irmão pequenino) já me é dado a experimentar este amor tão grande. E como é que as mães que precisam de trabalhar em casa conseguem fazê-lo com os seus bebés ao lado? É que, a mim, só me apetece contemplar o dia todo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Private de manos #5

E quando ainda eramos só três e nos engalfinhavamos todos na parte de trás do carro, pernas para o ar, braços para onde calhasse, e ouvíamos o Pai em modo repeat: "Brincadeiras de mão, beijos de burro. Vão-se magoar".
E quando chegava à vez 1000 e travava com imensa força e dizia: "Ou acabam com isso ou paro já o carro e vão a pé"?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

eu fui a Roma,

à beatificação do Papa JPII e, assim, ajudei a escrever a História: uma das 1 milhão e meio de pessoas que, contra tudo e todos e fazendo os esforços mais inimagináveis, quiseram estar presentes no dia em que se assume que aquele homem está no Paraíso, ao lado de Deus.

Foi esgotante física e psicologicamente. Mas foi forte. Muito forte. Talvez a experiência de fé mais forte que eu já tive, e nem sei bem explicar porquê.

No sábado à noite, na vigília com 300 mil pessoas, rezamos o terço com o mundo inteiro, tendo havido ligações a 5 países diferentes (e o último mistério foi rezado a partir de Fátima!).
No domingo de manhã foi o maior dos filmes, entre empurrões e desespero para encontrar um lugar. Qualquer que fosse. Saltamos para dentro de uma fonte, elevadas em relação à multidão, e onde nos pudemos sentar. Foi o que nos valeu.
À noite fomos, pacientemente, para a fila da Basílica de São Pedro. E entrei. E ajoelhei. E rezei. E senti tudo e mais alguma coisa. E levei o meu casamento no coração, entregando-o ali, aos pés de um Papa que tinha acabado de ser reconhecido como Beato.

E foi muito especial. Trago o coração a transbordar.












sexta-feira, 29 de abril de 2011

D., meu querido marido,

este fim-de-semana vais ficar sozinho.
Sim, eu sei que é um cenário assustador. É a primeira vez que ficas em casa sozinho, que dormes nesta cama sem mim e que não tens ninguém que te empurre da cama para ir trabalhar.
Espero que sejas um homenzinho. Assim com´ós crescidos.
Não te esqueças de lavar os dentes e trancar a porta. Deixo-te refeições no frigorífico e pão fresco.
Agradeço que não deites a casa abaixo enquanto eu estiver fora. Tenta evitar, tanto quanto possível, entornar coisas no sofá ou no tapete, vai deitando o lixo fora, não ponhas copos em cima da mesa da sala, lembra-te que não vou estar cá para tirar de cima da cama a tua toalha molhada e que, se não o fizeres, dormes geladinho. Ou no sofá.
Se saíres, fecha a porta e as janelas. Volto na segunda, cheia de saudades.

Ps- Ah! Agradeço, também, que não ponhas nenhuma substituta no meu lugar da cama. Quer dizer, se quiseres convidar a tua mãe, nada contra, sempre tens alguém que te faça a sopa!

considerações de muitas horas a transcrever entrevistas

1- já não posso ouvir a minha voz. Coiados dos que passam o dia a ouvir-me. Perdão.

2- sabemos o estado da nossa sociedade actual (com ipads, iphones, blackberrys, portáteis, etc) quando, sempre que perguntamos à criança a profissão dos pais, nos respondem constantemente que "trabalha no computador".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

E a vida vai correndo a um ritmo alucinante

Depois da Páscoa, iniciei em força a parte prática da minha tese. Em um dia de aulas e uma hora entrevistei 23 crianças para o meu estudo. Foi um óptimo ritmo. Já só faltam umas 60...!
Agora é isso, conciliar com o relatório de estágio, com as aulas na faculdade e tudo se vai fazendo.
No sábado de manhã sigo para Roma com a minha Mãe, não faltaremos à beatificação do nosso querido Papa JPII.
Só por causa disso, e porque o fim-de-semana vai ser de trabalho zero, até lá tenho de dar o litro!

Ontem foi um dia feliz cá em casa. Estreamos as churrascadas a dois, no nosso pátio. Ele tratou de tudo. Foi às compras, temperou a carne, escolheu o vinho, pôs a mesa e eu só precisei de ir. E olhar para ele toda babada e pensar que a felicidade é mesmo feita destas coisas.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Estão prontos?? Vou começar!

Aviso já que este será um post muito longo que só vai interessar a quem for realmente muito cusco ou interessado por viagens.

Então foi assim: no dia 8 de Abril fomos a voar até à Madeira. Sabíamos que íamos ficar 9 dias e que íamos para casa dos tios do D. mas não sabíamos o que nos esperava ainda.
Assim que saímos do aeroporto lá estavam os tios para nos ir buscar. Pela conversa ficamos logo a saber que íamos ser tratados como uns lordes. Ficamos num quarto enorme, num andar só para nós, com uma vista brutal sobre toda a baía do Funchal, mais uma casa-de-banho com grande banheira e janelas para a baía. Um must!

O que mais me marcou na Madeira foi a natureza. A imensidão das paisagens e a beleza dos caminhos.
Passo a mostrar o nosso roteiro:

Dia 2- Saímos do Funchal em direcção a S. Vicente. Aí visitamos as grutas. Depois, fizemos a costa toda de volta ao Funchal. Passamos por Seixal, Porto Moniz, Calheta, etc. Isto porque tínhamos o nosso próprio carro, emprestado pelos tios, e nesse dia optamos por acordar mais tarde mas, ainda assim, eu já ia pelo caminho doida com as coisas todas que via.

A caminho de S. Vicente

A caminho de S. Vicente


Em cada esquina ou caminho encontravamos uma queda de água que dá logo um ar romântico à coisa




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As piscinas naturais de Porto Moniz

A vista da nossa varanda

Dia 3: A primeira coisa do dia foi ir ao Pico do Areeiro, onde é preciso ter sorte para apanhar um tempo bom e estarmos em cima das nuvens. Nós tivemos essa sorte. Fomos, depois, visitar o Monte e a sua tradição dos carrinhos de cestos. Depois do almoço, fizemos a outra parte da costa do sul e fomos quase até à ponta de S. Lourenço, Baía d´Abra, Santa Cruz, Machico, etc..

Pico do Areeiro

Pico do Areeiro e euzinha

A maravilha da floresta

Os carrinhos de cestos no Monte (25eur, duas pessoas)

Paisagem da zona sudeste, perto da Prainha

Dia 4: Para acordar, fomos cedinho andar de barco. Vimos a costa do Funchal e golfinhos. Fartamo-nos de dormir!! Depois do almoço fomos fazer a levada das 25 fontes. Aqui, foi uma perfeita aventura porque, primeiro, fomos pelo lado errado e tivemos passar por um túnel de 1,5km, sem lanternas e, digamos, eu entrei um bocado em pânico. Para acabar, só saímos de lá depois de fechar a cancela e, por isso, tivemos de andar 2km por estrada a subir. Um nevoeiro brutal e quando chegamos lá acima reparamos que estavamos no lado oposto da montanha. E perdidos. Tivemos de apanhar boleia (que só conseguimos à segunda...) e lá dentro iam um madeirense e uma polaca que estava em casa dele a fazer couchsurfing!

Passeio à vela

Levada das 25 fontes. Linda de morrer.

As 25 fontes!

Dia 5: Fomos logo de manhãzinha para Santana e vimos as famosas casas típicas; antes do almoço ainda fomos a S.Jorge visitar um roseiral com mais de 1000 espécies de rosas. Ainda faltavam duas semanas para abrir ao público, este ano, porque ainda não tinham nascido as rosas todas mas a senhora foi muito querida e deixou-nos entrar. Lindo de morrer. Durante a tarde fizemos a levada das Queimadas ao Caldeirão Verde que, mais uma vez, nos deixou sem palavras. À noite jantamos fora pela primeira vez e fomos a um restaurante óptimo que se chama "As vides" e onde comemos o belo do bolo do caco com manteiga de alho e a espetada madeirense.

Santana

Uma das rosas do roseiral

O caldeirão verde

Câmara de Lobos à noite

A famosa Nikita: cerveja, vinho e gelado de baunilha... óptimo mas uma pequena bomba!

Dias 6,7 e 8- Fomos para o Porto Santo, onde os tios também nos deixaram usar a sua casa e o seu carro. Só o primeiro dia de praia é que foi fantástico. De resto, alternava entre o frio e o sol. Sempre deu para descansar imenso: é que, na ilha, não há mais nada para fazer!!



Dia 9- Era dia de ir embora. O nosso avião era às três e meia e, por isso, acordamos cedinho e ainda fomos visitar o miradouro da Eira do Serrado e ao Funchal abastecer-nos de bolo do caco e queijadas!!

Eira do Serrado

E pronto!! É isto.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

quanto às fotografias da Madeira:

não desesperem. Estão mesmo aí a estalar. É que, como perdi quase tudo do computador, também perdi a identificação que punha em todas as fotografias. Vou fazer isso amanhã e começar a relatar esses grandes 9 dias. Prometo que, no fim, ninguém se vai queixar.

Não vou falar do 25 de Abril dos outros

Vou falar do meu. Hoje. O marido saiu cedo para trabalhar enquanto a mim parecia que tinham colado as pálpebras. Não conseguia acordar. Lá arranquei da cama, tomei o pequeno-almoço e olhei, pesarosa, para os dois sacos cheios de chocolates e ovos, balanço da Páscoa. Vesti o meu kit doméstica, a bela da legging, e foi ver-me a dar um rumo a este pátio que não há meio de ficar lindo e maravilhoso e nos convidar a noites ali fora. Mudei as coisas de sítio, lavei e esfreguei. Passei para a casa de jantar. Depois para a sala, casa-de-banho, cozinha e quarto. Tudo aspiradinho.

Enfrentei, a medo, a pilha de roupa no quarto e algumas malas ainda por desfazer. Almocei.
Rumei aos chinocas a comprar algumas coisinhas que me estavam a faltar. Vim a casa deixar os sacos. Fui para o supermercado encher o frigorífico e assegurar que existem "próximas refeições" nesta casa.

Agora espero pelo meu homem. Temos um jantar ao pé do El Corte Inglês e decidimos ir a pé.

Cansada. Mas assim é que sabe bem.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Actualização Pascal

Sim, fiquei triste. Fiquei muito em baixo. Chorei no próprio dia. No dia seguinte, de vez em quando, vinham-me as lágrimas aos olhos de uma forma descontrolada. Valeu-me mãe e manos que me invadiram a casa e me resgataram fazendo com que passasse o dia ocupada.
Obrigada a todos os que me mandaram emails, comentários e mensagens. Este é, definivamente, o lado mais cor-de-rosa de se ter um blogue: receber e sentir abraços de pessoas que não conhecemos mas que, nem assim, sentimos como estranhas.

Como autora de um blogue que, nos últimos tempos, teve um boom de visitas, devia sentir-me mais obrigada a escrever com a frequência e qualidade que são esperadas. Mas não quero que seja assim. Não que desvalorize aqueles que aqui entram em busca de cada um sabe o quê, mas é que escrever deve e tem de me sair do coração. A última coisa que desejo e, acreditem, vocês também, é que passe a vir cá uma vez por dia "picar o ponto".

Aqui estou eu agora, no dia em que a Avó Ana faria anos se fosse viva, entre a pressa de fazer a mala dos próximos dois dias passados no Alentejo com a família e o deixar tudo em ordem por aqui, profissionalmente falando. Dias como este, em que a minha casa está praticamente às escuras porque o sol se escondeu, são dias em que só me apetece comer chocolates e ver programas sem interesse. São dias em que penso no que fui e no que foi. São dias em que cada minuto se constitui como mil planos para o futuro, daqueles tão estapafúrdios que não há mínima hipótese de se realizarem.

Ia dizer Boa Páscoa. Mas não digo. Seria profundamente infiel se não passasse por cá antes de Domingo para o fazer. E pode ser que venha com o coração mais activo, com as janelas mais abertas e o sol mais quente. Que estou a precisar de ataques de riso, de saltos muito altos, de cambalhotas na relva. Arre que estou a precisar de um abanão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pensei que, quando tivesse o computador,

viria, a correr, encher este blogue das coisas boas que vivi nos últimos tempos.
Acontece que não somos nós que temos o leme da vida e daquilo que esta nos reserva.
Ontem foi o dia em que o mundo ficou mais pobre. Em que vi partir, cedo demais, um amigo. Em que senti, no coração, este misto de revolta, interrogação, inquietação e, ao mesmo tempo, serenidade. Aquela serenidade que nos é trazida por uma fé imensa de que, agora, acabou a dor, os dias de expectativa, o túnel sem fim. A certeza de que alguém como ele estará, sem uma dúvida, no céu (seja lá o que isso for) e que agora, é bom que me ponha a pau, porque passa a estar sempre comigo, ao pé de mim.

Somos muito novos, é um facto, mas alegra-me olhar para trás e ver como, mesmo em sofrimento nos últimos cinco anos e meio, ele me ensinou que a vida é para se viver ao máximo, aproveitando cada minuto para agradecer o facto de nos ser dada esta sorte e graça de poder respirar, ver e sentir tudo o que o mundo nos oferece.

Vou ter saudades tuas, nem consigo dizer mais nada.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

para que não pensem

que estou de férias eternamente, quero informar que já voltei! Apaixonadíssima pela Madeira e muito triste pelo regresso a horas infinitas de tese que me esperam, não consigo actualizar o blogue como deve ser (e como merecem) porque o meu computador pifou e só amanhã o terei aqui, de volta, ao pé de mim.

Prometo posts longos e pormenorizados, devidamente ilustrados com muitas fotografias!

terça-feira, 12 de abril de 2011

não vos falo do céu por um triz

Olá maltinha fofa, cá vou eu acumulando mil coisas para contar e mais umas tantas paisagens indescritiveis.

Hoje o tio do Diogo arranjou-nos um amigo na marina que nos levou a andar de barco. Ele foi golfinhos, ele foi muito sol a bater na pele a cheirar a creme, ele foi navegar à vela... um fartote!!

Da parte da tarde ala para o Rabaçal, onde tinhamos fisgada a levada das 25 fontes. Vou ser resumidinha que mal abro os olhos ou mexo os dedos: entramos, por engano, por um túnel de 1,5km e não tinhamos lanterna, não tínhamos mapa, não tinhamos noção... foi um medo que só visto, entre o barulho dos ratos, os pés dentro de água e o medo de bater com a cabeça no tecto (e parti-la, claro!)... passando o cagaçito lá fomos a saltitar e a dar beijinhos repenicados por termos sobrevivido, vimos as 25 fontes e voltamos (6km). Eu disse que ia ser reumida?? Ok, perdemo-nos no caminho de volta, fizemos mais uns 4 km, dois dos quais eram seguidos a subir a montanha... chegados lá acima, nada de carro, nada de nada, só o nevoeirozinho simpático a aparecer. Primeira boleia recusada, o segundo carro parou e lá andou connosco em busca do nosso...

Ufas!

sábado, 9 de abril de 2011

só para dizer...

... que o avião aterrou na pista, como se queria, e que hoje já enchemos a barriga desta beleza toda que se está a revelar a Madeira.

In love, completamente.


Ps- Se houver leitores por aqui, que tal um cafezinho? Estou disponível!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

fins de ciclos

Ao contrário de um grande número de pessoas que adora a lamuriazinha dos fins de ciclos, eu sou daquelas que acho que só faz bem o encerrar de portas, o fim dos projectos, os pontos finais.

O meu estágio foi o momento mais alto de toda a minha formação, o período de tempo que permitiu que confirmasse a minha vocação, a minha paixão à Psicologia e aos miúdos, a minha capacidade de trabalho e a minha determinação. Permitiu que desenvolvesse uma série de competências que achei que ia demorar anos a conseguir, a tolerar a frustração como poucos o conseguirão e a aprender a viver 50 minutos de cada vez fazendo nascer sabedoria de onde não havia nada para além de vivências.
Foi uma estafadeira. Muitos dias em que a única coisa que fazia era trabalhar naquilo, sem tempo ou espaço para adiantar a tese, investir na Faculdade ou sair para beber um copo.

Agora acabou. Acabou mais cedo do que esperava, porque o orientador saiu da Junta. Desanimada pelo fim abrupto, sem tempo para cumprir muitos dos objectivos a que me propunha, sem tempo de ver os resultados do programa que estava a implementar na turma dos meus meninos de 5º ano, sem conseguir levar até ao fim o plano de intervenção com os que tinha em consulta. Mas aliviada, porque este fim vai permitir que me envolva completamente na tese que me separa do final do Mestrado.

Acabei a revisão de literatura, o maior dos meus alívios. Estou longe de ter chegado ao fim mas, hoje, celebro o fim de um ciclo, o fim do meu estágio, o início de outro, que é o de passar de estagiária a investigadora. E, por isso, em jeito de festa, embarco hoje para a Madeira. Onde estarei até ao próximo sábado.

Vai saber muito bem ter o meu marido só para mim, não precisar de passar horas fora de casa e longe dele. Vai saber bem trabalhar e ler nas horas mortas, fazê-lo só quando não tiver mais nada para fazer, mais nenhuma fotografia para tirar, mais nada para ver. Jantar tarde e passear depois do jantar. Acordar tarde e saltar refeições. Namorar e encher-me de energia para aquilo que ainda me espera até Junho.

Vou tentar ir passando por aqui a dar novidades. Voltarei cheia de fotografias e opiniões. Esperem por mim.
Até já!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A música é gira, a acção é brutal e (um dia destes) hei-de ganhar coragem para fazer qualquer coisa do género e... malta feminina, o homem. Ai, este homem.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quando acordas

e tiras o corpo da cama mas deixas lá a cabeça a dormir. Quando vagueias pelo dia como que anestesiada. Quando te sentas a copiar frases para o word sem lhes dar o mínimo de sentido e pensas que amanhã será o dia em que pensarás no assunto. Quando, para acordares, decides ir a pé até ao saldanha. Quando enfrentas um medo que te perseguia há algum tempo, quando vês o que não queres, quando não ouves (e querias ouvir) a voz do costume, quando a única coisa que reconheces é um olhar. Quando te despedes de uma criança que fez parte da tua vida durante 7 meses, lhe dás um abraço depois de teres demorado muito tempo a conquistá-la. Quando voltas para casa a andar, com música nos ouvidos que, na verdade, não ouves. Quando te sentas no sofá a responder a uma mensagem e adormeces. Mas depois lembras-te que ainda tens um jantar hoje e, por isso, é bom que voltes para o word. Para as palavras sem sentido. Para os gestos que são mecânicos, para o intercalar da posição das pernas.
Quando estes dias nos devoram, quando nos transformam, quando nos levam aquilo que somos.
Preciso de colo, preciso de abraços. Preciso de não falar. Estou tão cansada e tenho frio no intervalo deste calor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Isto anda murcho, pois que anda

e eu peço muitas desculpas por isso. Principalmente a quem está cheio de vontadinha de textos novos e acabadinhos de sair.

Acontece que esta semana acabo todas as minhas consultas no estágio (pena e alegria ao mesmo tempo) e vou para a Madeira uns diazinhos na sexta à tarde. Até lá, dê por onde der, tenho de ser a melhor Psicóloga de sempre para os miúdos que vou deixar e acabar a revisão de literatura TODA (escritinha e sem erros) para deixar no email da minha orientadora. Não tenho lata de ir de férias uma semana e não deixar isso feito.

A modos que andamos nisto, entre a rua (e as greves) para ir receber aulas, dar aulas, dar consultas e chegar a casa e sentar o rabo na mesma cadeira, à mesma mesa, rodeada de folhas e post-its. E está tãaao longe de acabar...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

concluis que estás uma perfeita doméstica quando

chegam os dias de sol e em vez de te alegrares a pensar no bronze, alegras-te a pensar em como a roupa vai secar rápido.

domingo, 3 de abril de 2011

fala-me da vida

Quem dança não é quem levanta poeira, é quem reinventa o chão.
Mia Couto

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"é com eles que tu tás casada?"

Não. Não é com mais ninguém para além de um com o outro que estamos casados.
Mas pode ser tão difícil gerir a família do outro como uma multinacional na falência.
Vale-nos, ou antes, falarei só por mim, o que me vale é que gosto deles. Gosto dos meus sogros, da minha sogra também, de cada um dos meus cunhados. Cada um com as suas coisas, boas e más, com as suas lutas e exigências. Gosto que precisem de se ver e estar juntos como as flores precisam de água, gosto que num minuto se ponham todos do outro lado do país (ou do mundo) se alguém precisar. Gosto que me sintam como parte fundamental da família, que exijam a minha presença como a de qualquer outro que nasceu ali.

Se, às vezes, é demais? É. Naqueles dias em que quero agarrar nele e não o deixar levantar do sofá toda a tarde, em que me apetecia que jantassemos sozinhos, que ficassemos por aqui sem razão nenhuma, sem ser porque temos alguma coisa para arrumar, limpar, montar, estudar. Só porque sim. Porque somos marido e mulher e porque uma família, para crescer e se tornar coesa, precisa de tempo juntos.

Mas este "às vezes é demais" é um às vezes sincero, é mesmo só algumas vezes e, na maioria das vezes, quando eu dormi mal (ou pouco), quando estou estafada e só preciso de colo em vez de tardes em família. De resto, não, não estou casada com eles, e não vou por obrigação, estou, vou, e preocupo-me com todos porque quero, porque gosto. Porque me faz falta.

terça-feira, 29 de março de 2011

sobre a possibilidade de existir um mundo sem drogas:

Dizia a Professora, na aula sobre este tema, que é impossível que lhe fiquemos indiferentes. Poderá, até, haver alguns assuntos sobre os quais não temos opinião mas que, em relação às drogas, todos temos alguma coisa a dizer.
E é por isso que sei que este meu post vai munido de subjectividade, ciência zero, e (concerteza)cheio de romantismo. Isto porque tendo, sempre, a pensar nas drogas como consequência de vidas infelizes, como ausência de capacidade de antecipar caminhos melhores, meios mais eficazes e fins menos dolorosos.

E talvez seja por isso que me é tão difícil imaginar um mundo sem drogas: porque o vejo como cada vez mais infeliz, mais desesperançado, mais acomodado ao fácil e rápido, menos lutador. Como se hoje em dia todos tivessemos mudado o chip para qualquer coisa como "nasceste para ser feliz, diz não ao sofrimento, não há necessidade de passares por essas coisas"... e este chip toca desenfreada e constantemente não só perante dificuldades sérias como, também, perante a mínima contrariedade.

Quase que parece que todos, por uma razão ou outra, procuramos o motivo para nos escondermos, anestesiarmos, bloquearmos. Um desejo de sermos invisíveis ou mais visíveis, um desejo de calar ou de gritar mais alto... todos parecem correr sem saber para onde, procurar sem encontrar, querer sem lutar.

Assim, e perante um mundo em que nem nós acreditamos, como podemos pensar em retirar o pouco que vai conferindo, a uns e a outros, uma ténue falsa sensação de controlo e de alívio?

Podemos tentar, mas sem outras intervenções de fundo de nada nos valerá.

Seria preciso um "educar para a infantilidade", aquela proeza que só as crianças conseguem que é a de aproveitar cada minuto dos seus dias ao máximo, ver e esperar o que é bom, esforçar-se por agradar. Penso que só essa capacidade (que é difícil, mas atingivel) permitiria que as drogas se tornassem em algo completamente ridículo e dispensável, quase dessem vontade de rir, e os remédios (que tão úteis nos são) não constituissem perigo de adição para ninguém.

segunda-feira, 28 de março de 2011

já que falei em MEC

fica aqui um excerto de um texto dele que me fez rir:

"De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém),como é que a Europa nos vai querer integrar? Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?",
Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz)."

Se quiserem ler todo, passem aqui.

domingo, 27 de março de 2011

eu já devia saber

É que a vida é mesmo assim, nunca nos deixa mal.
Num dia tão difícil para mim como o de 6ª feira, num mix de emoções e bateres descompassados do coração, fui presenteada com o convite para ser a madrinha de baptismo do meu primo António.
Fiquei tão contente, emocionada e (agora que penso nisso) assustada, que passei o resto da noite meio anestesiada.
E, daqui a um mês poderei deixar a verde, ali ao lado, mais um sonho realizado!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Querida Avó,

para a Avó, hoje é mais um dia. Igual a todos os dias do último ano e meio. Vai estranhar estar tanta gente ali à volta, por uma casa que não reconhece, mas que é a sua de toda a vida. Vai ficar cansada do barulhão que fazemos. Os seus filhos tão crescidos, já avós, nós os netos desmiolados, alegres, com tanto amor por si, e todos os bisnetos, que não passam dos 6 anos, mas que já são muitos e, infelizmente, não se vão lembrar dessa sua alegria, dessa sua grandeza, da doação de si própria.
Daqui fala-lhe a neta que sempre se intitulou como a sua preferida e que, com estas coisas disparatadas, arrancava gargalhadas e a deixava atrapalhada a tentar explicar-me que não tinha preferidos e que gostava de todos igual, ao mesmo tempo que não me queria deixar triste e fazer-me sentir especial.
Mas, para mim, hoje não é mais um dia. Nem igual aos outros. Este dia faz-me lembrar de todos os outros dias 25 de Março em que ia mais cedo para casa da Avó ajudar a levar as coisas para a mesa, ajudar a Maria a acabar tudo, em que lhe dizia como estava linda por ter ido ao cabeleireiro, em que a esborrachava de beijinhos e dançava consigo.
Eu, querida Avó, tenho muitas saudades suas. Tantas que dói. Tantas que, maior parte das vezes, me esforço por não pensar nisso para que me seja possível ir suportanto a espera do dia em que coração da Avó se vai cansar de estar assim, deitado nessa cama, e percebe que há um sítio melhor onde pode bater.
Quero, hoje, dar Graças pelos seus anos de vida. Por tudo aquilo que me foi dado a aprender e crescer por ter convivido com alguém como a Avó tão de perto, tão intensamente, com tanto amor.
Houve um dia de Julho que me despedi de Avó e disse que ia passear pela Ásia. Ouvi as perguntas e queixumes de sempre, de por que é que precisamos de ir para tão longe com tantos sítios aqui perto, de que somos inconsciente e não pensamos nos perigos. Ri-me. A Avó também se riu. Deu-me a sua benção, disse que gostava muito de mim e que ia ter saudades. Ainda lhe liguei da Tailândia. Mas não sabia que, quando voltasse, não ia encontrar as mesmas brincadeiras, o mesmo abraço quentinho, os mesmos olhos provocatórios, o mesmos sorriso rasgado. Estava ali, mas não estava. Não era a minha Avó. Dessa, eu recordo tudo. A essa, eu disse tudo e afirmei e sublinhei todo o meu amor, gratidão e admiração. Agora, vejo-a, visito-a, deito-me ao seu colo, dou-lhe festinhas na cara e brinco como sempre. Mas sei que não me reconhece. Se calhar, reconhece o toque, mas não me diz.
Valeu-me que dissesse o meu nome no outro dia, o que me fez chorar. E levo, também, o último Domingo em que fui lá e olhou com os mesmos olhos de piadolas que, um dia, já lhe foram tão característicos.
Hoje, querida Avó, lá estarei na sua festa de anos. Com mais colo, abraços, beijinhos e olhares. Muitos Parabéns. Não por este ano de vida, mas pela quantidade de anos que viveu tão intensamente. E que saiba, que é a pessoa mais marcante, influente e importante na minha vida. Gosto muito de si.

quinta-feira, 24 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

muito poucos percebiam a forma como decidi chegar ao casamento

mas, a verdade, é que há alguém que sabe explicar a coisa de forma, mais ou menos, clara:

"O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.

Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

domingo, 20 de março de 2011

a ironia do amor

Cheguei a uma conclusão. Cheguei, não, construi... isso de chegar às conclusões é como se elas lá estivessem e nós as descobrissemos.
Esta eu fiz nascer daqui, das horas e dias em que o senhor meu marido passa a trabalhar e eu fico em silêncio nesta casa que já me sabe de cor em tão pouco tempo.
Percebi que aquilo que mais criticamos e mais apontamos como defeitos nas pessoas de quem gostamos, que amamos, mesmo, são aquilo que os torna únicas e que recordamos, mais enternecidos, dessa pessoa. As qualidades também são importantes, é certo, mas essas são replicaveis e, geralmente, traço comum entre as pessoas que escolhemos para nossas.
A minha mãe, por exemplo, fala muito. Fala tanto, fala demais. E repete-se. Mas repete-se como nunca hão-de ver, como um gravador. Tal e qual. Vezes sem fim. E fala alto. E ri-se alto. E passa à frente nas filas. E chama os empregados no restaurante com muita convicção, como se fosse da casa e estivessemos sozinhos. Fartamo-nos de refilar com estas características mas são elas que lhe dão a graça. O meu pai, oh, esse está sempre duas estações do ano à frente. Planeia a Páscoa e Janeiro, as férias do Verão em Fevereiro e, em Maio, o Natal já está combinado. Manda-me emails às 7.30 da manhã, do escritório, e liga-me às 7h, quando vem no carro (convencido que a essa hora eu estou de cara e cabelo lavado, pequeno-almoço tomado, com 3 horas de tese para trás, já fiz o almoço e tenho o jantar no forno). Também tem outra coisa muito interessante: nunca nada está suficientemente bom. Nem quando eu vinha com dezanoves para casa.  A pergunta era por que é que não tinha 20... e adoro isso tudo nele (tanto perguntou pelos vintes que comecei a trazê-los!). Mas não posso dizer, porque é um bocado parvo e reforçador dizer o quanto adoro os defeitos que aponto a cada um dos que me ocupam o coração. É irónico, não é?
Podia falar dos meus irmãos (muita tinta correria), das minhas melhores amigas (únicas e irrepetíveis que só elas), dos meus amigos (homens, que tenho poucos, mas que são os melhores) ou do meu maridaço.
Sim, do marido podia falar e teria muito para dizer. Partiria do seu bom humor constante que me irrita e dá cabo das manhãs sossegada e noites tranquilas, da sua necessidade de ajudar os outros e que isso esteja à frente do seu e do nosso tempo e bem-estar, da sua entrega à nossa relação que me faz sentir minúscula e pouco merecedora, do seu esforço para ser a "dono de casa" perfeito e mostrar que o faz por amor... tudo isso me irrita, mas tudo isso me faz querer que esteja sempre aqui.
A ele, à mãe, ao pai, aos manos, às amigas e aos amigos. E a todos os que me ensinam da maneira mais eficaz: através do exemplo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

é por isso que viver dá adrenalina

Quer dizer, o isso é uma palavra pouco apropriada. Não é só um isso, são muitos issos.
Tanta coisa que faz com que o coração acelere que nem um louco.
São as memórias do passado, são as incertezas do futuro, são as loucuras do presente.
São beijos roubados, são abraços demasiado apertados, são momentos em que se espera que o telefone toque. São as dúvidas, ah! as dúvidas. Isso de só no fim sabermos se andamos a fazer o que está certo, de só mais à frente vermos os frutos, de termos de optar por coisas tao diferentes mas igualmente apetecíveis.
E o calor. Um calor que não se sabe nem se explica, mas só se sente. Esse de quando os nossos irmãos desabafam, de quando os nossos pais nos ralham, de quando os nossos amigos se mostram presentes a mil kilometros de distância. O calor de um recado em cima do microondas. O calor do sorriso de alguém que não conhecemos mas se mostra agradecido. O calor é muito bom, e também dá adrenalina.

e, ao contrário de ontem,

que foi cheio de emoção (! pirosa), hoje fico aqui calminha como deve ser!

Hei-de contar tudo, a seu tempo que o segredo é a alma do negócio!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Hoje é dia de proactividade

Certo é que há por aí muita gente mesmo "à rasca" e com algumas boas razões para se queixar.
Dito isto, e devidamente salvaguardada por essa excepção, eu cá sou muito pragmática e, às vezes, bruta como as cabras, e acho que maior parte dos que se encontram nessas situações é juventude muito acomodada, muito cheia de mimo e crente de que, um dia, o trabalho vestido de fato macaco toca à porta e traz confetis.
Eu sei, porque ando há muitos anos no meio deles, que os jovens não estão habituados a pensar no futuro. É assim, é mesmo assim. Saem do 9º ano muito contentes pelos anos de liceu que os esperam e, em vez de pensar na área que querem, pensam na liberdade que vão ter, no facto de já poderem entrar nas discotecas e no dia em que perdem a virgindade.
Depois chega o 12º, é o ai Jesus que os exames nacionais estão aí, que eu já não vou a tempo de fazer um curso de que goste e possa ser feliz no futuro, foi o 10º ano que me estragou a média. Os que não têm dinheiro vão para um curso qualquer numa faculdade pública e serão frustrados o resto da vida (ou, como sempre acontece aos que precisam de ser fortes, dão a volta por cima e se engrandecem), os que estão forrados dele, escolhem o cursinho como quem escolhe as entradas num restaurante, e os pais pagam religiosamente uma faculdade privada onde, regra geral, os seus filhos passam o dia a jogar matraquilhos ou à sueca, no bar, aquecidos por SuperBock´s fresquinhas.
E é assim, passam os anos (e sabe-se lá o que fizeram ao conceito de Bolonha e os cursos de 3 ou 4 anos), a adorar a ideia de casa, cama e roupa lavada, fazendo uma cadeira aqui e outra ali. Depois, claro, admiram-se.
Acabam o curso e percebem que na, na, ni, na, não que o mundo não é assim, não é para meninos. Que o tempo de absorverem dos professores, de ter discussões interessantes com colegas, de encher o curriculum com workshops e conferências, de pensar sobre as coisas para se poder aguentar taco a taco numa discussão, esse tempo já lá vai.
O pior é que, mesmo compreendendo isso, não se espevitam, não desatam a bater as capelinhas, não vão a todas as portas oferecer-se e oferecer coisas novas. Não olham para o mercado, não estudam as empresas onde vão e, por isso, fazem propostas estapafurdias, não oferecem nada de novo... e não percebem que, nesse tempo de limbo, não faz mal nenhum ir trabalhando numa qualquer Zara a dobrar a roupa pelas vezes todas, da sua vida, que não fizeram em casa.

Eu sou das que não se acomodam, das que passou o curso todo entre workshops, congressos e conferências, com a lata para mandar emails a investigadores de psicologia muito conhecidos e receber respostas de volta, a meter-me nos projectos dos meus professores que me faziam, ao Sábado de manhã, ir para Mira Sintra fazer avaliação psicológica a crianças de 5 anos desde o 3º ano do curso só porque sim, para ter experiência. Sou das que trabalhava de manhã, antes de ir para as aulas a distribuir panfletos para trazer 10 euros no bolso, das que entregava pastas e crahás em congressos e, depois de estar tudo nas suas salas, tirava da carteira os artigos e estudava ali mesmo. Sou das que manda emails a fazer propostas, a arriscar, a que mostra, com convicção e plena consciência de que é justo que seja paga pelos serviços que presto porque sei, e foi para isso que trabalhei, são de qualidade.

Hoje é um dia desses. Mais um passo, mais umas capelinhas, mais boas novidades, mais horas que não vão ser perdidas mas, sim, ganhas por me ir mostrar, por fazer notar que estou aqui, que cheguei para ficar e que ainda vão ouvir falar muito de mim.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se há coisa que me eleva...

é andar de carro à noite... passar por prédios e mais prédios e ver luzes acesas. Perceber onde fica a cozinha e a sala... tentar descobrir formas e definir silhuetas. Adivinhar o que estarão as pessoas a fazer e sonhar que lá dentro vivem famílias felizes.
Perceber que há centenas de maneiras de se fazer as coisas, de se viver, de se amar e ser feliz. Que nem toda a gente vive como eu vivo. onde eu vivo e com o que eu vivo.

Desde pequenina que me fascina andar de carro à noite.

terça-feira, 15 de março de 2011

estou numa excitação tal

que não consigo escrever nada, houve respostas ao email... só espero ter boas novidades em breve!!

ps- nada a ver com crianças na barriga, por isso podem ir-se acalmando.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Da anestesia dos dias

Lembro-me que estas coisas vieram à minha cabeça pela primeira vez aos 15 anos, quando tirei a licença de mota. Andava eu para a frente e para trás, entre o liceu e casa, esticava-me e ia até ao Oeiraspark ou mesmo Carcavelos. E havia dias que eu pensava: "como é que eu estou a guiar isto?"... não sabia. Chegava ao fim, tirava o capacete e pensava que não me lembrava de, no trajecto, ter pensado sequer uma vez em "agora travo, agora acelero, cuidado ali". Depois tirei a carta de carro. O mesmo se passava. Havia dias que saía tão cansada da faculdade que nem ligava o rádio, de tal maneira vinha adormecida. E depois chegava a casa e era como se tivesse ido drogada até ali. Perguntava à minha irmã "também te acontece, às vezes, chegar a casa e não saberes como?". Ela dizia que sim, que às vezes também nem pensava no caminho.
Foram estas duas coisas que me enviaram para estes pensamentos e a perplexidade perante a quantidade de coisas que, no dia-a-dia, fazemos de forma automática (para não dizer automata). Há gestos, conversas e trajectos que já fazemos como rituais e sem a mínima consciência do que estamos a fazer. E não falo de tiques ou defeitos (esses coitados, lá nos levarão toda uma vida para eliminar) falo de actividades do dia-a-dia em que colocamos zero da nossa alma, em que nos embrenhamos noutros pensamentos, maior parte das vezes vazios de conteúdo, e vamos passeando pelos dias assim.
Lembrei-me de escrever isto porque ainda na 6ª aqui estava eu, na dúvida se tinha lavado a loiça ou não (e tinha) e se tinha feito a cama ou não (e tinha)... foram coisas que fiz sem me lembrar e não gosto disso. Não gosto de sentir que não estou eu toda, a 100%, em algumas coisas que faço. Gosto de pensar que me entrego, mesmo nas mais pequenas do dia-a-dia, porque é através desses pequenos gestos que vamos construindo a nossa grandiosidade e, ao entregarmos aquilo que é mais curriqueiro e aparentemente sem valor, aprendemos a tirar da vida o que faz sentido e não ficarmos à espera daquilo que é enorme e nos assola para nos activar e fazer reagir.

domingo, 13 de março de 2011

sobre a força de vontade

Há momentos da minha vida em que tenho de ser mais forte do que eu própria e ignorar aquilo que a experiência me diz. Claramente que esta história da tese está a ser uma grande provação e preparação para o futuro. Mais pareço uma amiga minha que está em medicina e tem de se preparar para o exame da especialidade (não é J?)...  ter um prazo [aparentemente] tão alargado está aqui a baralhar-me o esquema. É que, por um lado, há a questão da incerteza da vida e dos desvios e obstáculos do caminho e, por isso, mais vale ir adiantando enquanto tenho tempo. Mas, por outro, há em mim uma calma estupidamente incapacitante que me diz que vai haver tempo de sobra, que tudo se faz, que quando estiver sentadinha e concentrada faço tudo de enfiada e que vai dar imenso jeito a coisa da pressão do tempo.

Enfim, vou mas é para ali ganhar balanço e fazer qualquer coisinha, umas dez linhas, vá. Para ver se entrego em primeira fase e tenho o mês de Outubro para ir viajar com o meu querido marido.

sábado, 12 de março de 2011

Já não aguento

Entrar no facebook e ver albuns a dizer "Carnaval 11", "Carnavélius", "Carnavalis" and so on...

sexta-feira, 11 de março de 2011

47

São os dias que nos separam da Páscoa. Bem, agora são 45, que a Quaresma já começou na 4ª feira.
Para muitas pessoas, quase a maioria, é incompreensível o que esta época significa para nós, católicos, os praticantes. Sim, porque maior parte da população diz-se católica não praticante, o que eu não sei bem o que isso quer dizer.
O que eu quero dizer é que, para aqueles que sentem a correr nas veias um profundo amor a Jesus, vivem esta época do ano como a mais forte de todas. Mais do que o Natal.
E à pergunta que uns tantos me fazem, com ar de que eu aterrei agora vinda de Marte. "Mas o que é que vocês fazem na Quaresma?" (este vocês mata-me, é como quem diz essa cambada desmiolada).
Então eu explico: nós, ou eu, procuro viver estes dias com toda a calma e serenidade interior que me permita chegar ao dia de Páscoa (que significa renascer, renovar, transformar) uma pessoa diferente. É a altura do ano ideal para um frente-a-frente comigo mesma, em que encaro a frio tudo aquilo que reconheco fazer errado, fazer a metade, não fazer. E encontrar a força e a vontade de reunir esforços e me superar. Porque houve alguém que, um dia, por acreditar em mim, em Nós, escolheu entregar a sua vida. E, tal como quando acompanhamos algum familiar ou amigo na dor e num caminho penoso não temos vontade de grandes festejos e loucuras, também este tempo é vivido com moderação, a necessária para receber toda esta grandiosidade simbólica no meu coração.

quinta-feira, 10 de março de 2011

fazer figas

Enquanto espero duas respostas muito importantes que me podem trazer óptimas novidades!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

sim, é verdade. Mas saber ganhar, ficar, insistir, aceitar também é uma arte.

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.

E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.

Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.




segunda-feira, 7 de março de 2011

Faz-me espécie, pronto(s)

Cozinho. Menos do que gostaria, mas mais do que os meus genes foram programados para fazer. A minha mãe orgulha-se, de peito cheio, dos seus ovos mexidos e eu, pequena traumatizada com os serões a esparguete com natas e fiambre, dei o murro na mesa e dediquei-me aos tachos.

Relaxa-me, evade-me, exige-me esforço e tempo e eu adoro. Quando casamos ofereceram-nos a Bimby. Não sou quadrada, nem nunca fui, e por isso procuro perceber que benefícios posso retirar dali sem que se evapore o gosto que tenho por acrescentar aqui e ver no que dá ou fritar o pirolito porque está a faltar qualquer-coisinha-que-ainda-não-percebi-o-quê.

E tenho descoberto que a maior das vantagens é que possamos ter (praticamente) todos os acessórios de cozinha num só, o que significa menos coisas para lavar.

E fico irritada quando as pessoas perguntam: "Foste tu que fizeste ou a Bimby?". Han?? Desde quando é que um acessório faz as coisas?

É exactamente o mesmo que antigamente perguntassem "Quem é que fez a sopa? Tu ou a varinha mágica?"

domingo, 6 de março de 2011

A forma como lidamos com as coisas

é o que temos de mais parecido com uma janela para a nossa alma.

sábado, 5 de março de 2011

e ontem nasceu um pequeno trauma

O programa era ir ver a casa nova que os nossos amigos noivos vão alugar. Não tem nada dentro, por isso já se sabia que era sentar no chão e ficar no jardim. Levaram cerveja, bolachas, batatas e amendoins. Então eu saí de casa devidamente equipada: sem carteira, telemóvel no bolso do meu blusão preto e quentinho, camisola quente, ainda que gira, calças de ganga e botas rasas, pelo joelho.
Tudo correu muito bem e como planeado. Até que decidimos ir beber um copo e dar um pezinho de dança. Asneira. Transformou-se numa noite até às tantas, numa disconight muito central e concorrida, em que cada movimento da minha cabeça correspondia a encontrar alguém que eu conhecia.
E eu ali, vestida da mesma maneira de quem vai só ali colher flores e apanhar os ovos para o almoço.

Senti-me tipo aqueles índios ou as pessoas que nunca viram a civilização. Ir à casa-de-banho era um ataque à minha pessoa: eu ali, na fila, a ser olhada como uma estranha por miúdas cujos traços eram irreconhecíveis tal era a maquilhagem e que, se desse o caso de se baixarem, ficariam com as traseiras muito expostas, com os cintos que levavam a fazer de saias.

Foi uma noite gira, mas mais uma daquelas que me faz pensar acerca das razões que podem levar alguém a transformar-se só para entrar numa discoteca e ser visto na noite. E aquele ar de que andam à caça, com olhos fatais em busca das presas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

se há profissão...

... em que é fácil compreendermos as limitações da nossa actuação (para além da medicina) é esta de ser psicóloga a trabalhar com crianças.
Chego a casa todos os dias com esta sensação de quem tapa o sol com a peneira, de quem, em vez de arranjar o cano, tapa o buraco com uma tampa, ou de quem limpa as formigas que invadem a casa com um pano e rapidamente se apercebe que lá estão elas outra vez, a sair por todos os lados.
É que, cada dia em que entro naquela escola e oiço, de porta fechada, a professora lá dentro a gritar e chamar estúpidos aos alunos, penso em que como devia suspender todas as minhas consultas, fazer sinal à porta da sala, levar a senhora professora à parte e chamar-lhe os mesmos nomes que chamas a todos os seus alunos. Se não me aguentasse dava-lhe umas reguadas, à moda antiga, mas depois revestia-me de paciência e explicava como é que estas coisas das crianças funcionam.
E, então, quando toca as quatro e meia, e vejo os paizinhos ali à porta, a recolher a carga, a ouvir as queixas das professoras e a dar calduços, a dizer que são a vergonha deles e que quando eles chegarem a casa é que vão ver o que é doce, sobe-se-me cá uns calores. E vê-los a ameaçar de morte as vigilantes e depois ficarem muito espantados por os filhos resolverem tudo à pancada? Cruzes, pensem, minha gente. Pensem.

Enfim, pequeno desabafo matinal, para me revestir de força mental e compreender que embora não mude, nem seja esperado isso de mim, toda a realidade da criança, tenho de fazer tudo o que está ao meu alcance para que consiga enfrentar esse seu mundo de uma maneira lúcida e capaz de fazer o devido filtro ao que absorve dos pais.

quinta-feira, 3 de março de 2011

fazer o que está certo

sempre, sem vacilar, é uma estafadeira e não estou assim tão certa que compense.
Quer dizer, não que agora passe a ser uma bad girl mas é que, ás vezes, o espaço para a loucura, para o irracional, para o espontâneo é mais pequeno que uma agulha.
E não é só com essas linhas que me quero coser.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Do fim-de-semana ficou a certeza de que é possível apaixonarmo-nos de novo, todos os dias, pela mesma pessoa e por coisas diferentes que estavam escondidas, mal nós sabemos onde. Ou então não estavam escondidas, simplesmente não existiam, e surgiram desta capacidade que temos de sempre nos reinventarmos, de nos ultrapassarmos e regenerarmos. Por amor. Porque o outro estimula isso em nós e porque não queremos que viva com este "eu" que achamos, todos os dias, ainda tão imperfeito. Quer dizer, há algumas pessoas que se acham perfeitas, mas essas precisam de mudar essa crença quando encontrarem o amor, porque assim não lhes será possível perpetuar a felicidade tão característica de quem se olha pela primeira vez, de quem faz de cada toque e abraço o primeiro de todos os que se quer para uma vida.

Do fim-de-semana ficou, também, este reconforto no coração de que, se nada mais existisse, só o seu amor me bastava. E um estalo na cara que me apetece dar de todas as vezes que, por culpa da exaustão dos dias, o empurro e rejeito os seus abraços e beijos desenfreados e grito muito descontrolada "importas-te de me deixar fazer o jantar que quero ver se me despacho?".

Desta semana, que vai a meio, fica-me a compreensão de como é fácil esgotarmo-nos e dar tudo de nós quando o levantar de manhã é movido pela profunda paixão ao que se faz, pela luta que travamos com a vida, a história e o tempo para que as caras que nos falam de lágrimas nos olhos, possam sorrir e vê-las secar. E todo um nó se nos dá na barriga quando marcamos uma reunião com uma mãe, conscientes de que nenhuma está preparada para ouvir dizer que o seu filho vai ser encaminhado para psiquiatria e lhe esperam algumas noites mal adormecidas.